29 de fev de 2008

SISTEMA MARRECAS - UMA DECISÃO CORRETA

Quando se fala em abastecimento de água, não podemos esquecer da importância desse líquido para as nossas vidas, que só é valorizado quando faz falta no nosso dia a dia. Não procurando, e não querendo ficar distante das discussões e polêmicas que por certo envolvem os estudos da nova barragem do arroio Marrecas, quero estampar, em poucas linhas, o meu sentimento quanto ao assunto e registrar a importância do novo sistema a ser construído em nossa cidade. Considero-me, modéstia à parte, habilitado para participar, sem ser o dono da verdade, dessa importante discussão que dialoga de forma direta com o futuro de Caxias, com seu desenvolvimento sustentado tendo por norte, sempre, o equilíbrio necessário entre as variantes ambientais, sociais e econômicas.
A mãe natureza nos presenteou com exuberância de recursos hídricos e apesar de estarmos em uma região serrana, em cima de morros, sem possuirmos rios caudalosos – poderíamos não ter tanto água –, assim mesmo podemos encontrar inúmeras possibilidades de represamento e captação, tais com Marrecas, Piaí, Sepultura, Mulada, São Marcos e Lajeado Grande, além das já exploradas (Dal Bó, Maestra, Galópolis, Samuara e Faxinal).
Quero chamar a atenção de todos para a importância do Sistema Marrecas e do momento certo para viabilizá-lo, em que pese seu alto custo de implantação, em razão especialmente do provável alto preço das indenizações aos proprietários das terras que serão atingidas, e, por certo, os problemas decorrentes dessa acertada decisão técnica e política da atual administração, de modo particular da direção do SAMAE.
Seria bem menos custoso, e possivelmente mais tranqüilo, se a opção do SAMAE fosse, por exemplo, construir a futura represa junto ao arroio Piaí. Mas, como abrir mão de um sistema de represamento de águas que, comparativamente, representa um novo Faxinal, podendo, a curto prazo, abastecer nossa cidade com mais 900 litros de água por segundo? Hoje, Caxias consome aproximadamente 1.500 litros de água tratada por segundo.
Devemos aprender com os erros do passado. Ao permitir o crescimento desordenado da cidade, sem planejamento e fiscalização, fomos obrigados a abrir mão recentemente de importante recurso hídrico, representado pelo arroio Moschen, dado a sua total inviabilidade de exploração, em razão de já estar praticamente 100% impactado, com a presença de loteamentos irregulares, residências e indústrias que inviabilizam o seu aproveitamento para abastecimento de água. Deixar a construção do Marrecas para depois, tenho certeza, inviabilizará seu aproveitamento, dada a forte pressão imobiliária já existente na região de Vila Seca, reproduzindo-se situações por nós já conhecidas, como a ocupação do Serrano e da região do Moschen. A cidade pagaría um alto preço posterior para regularizar essas área, se ocupadas de forma irregular.
Portanto, como registrei acima, não querendo polemizar, mas já polemizando, defendo a importância da escolha do Sistema Marrecas como futuro manancial de água a ser explorado, com respeito à belíssima natureza lá existente, mitigando seu impacto ambiental, mas tendo o interesse público como principal definidor das políticas públicas.
Mas, e a crítica, os posicionamentos contrários ao Sistema Marrecas? Sim, eles precisam e devem ser respeitados. Cada uma de suas manifestações precisam ser avaliadas, respondidas e até atendidas. Entendemos que servem para aprimorar ainda mais os projetos públicos, sempre com o olhar voltado para a preservação natural e a defesa da vida. Uma boa água a todos. Saúde.

22 de fev de 2008

TREM REGIONAL

Caxias do Sul, em junho de 1910, é elevada à categoria de cidade através do Decreto nº 1.607. Nesse mesmo mês tem seu terminal ferroviário inaugurado. Finalmente estávamos ligados à capital do Estado pelos trilhos. A população de 54 mil habitantes vibrava com a modernidade. Muitos copos de vinho foram tomados nos armazéns e bodegas brindando a tão esperada obra. No ano de 1976 o terminal ferroviário de Caxias do Sul foi desativado, e o trem deixou de ser visto ou, se era visto, era visão rara.
Em 2006 o IBGE apontou 415 mil habitantes em Caxias do Sul. Particularmente, acho que milhares ficaram fora dessa conta, mas agora isso não vem ao caso.
Queremos, neste ano, discutir amiúde o trem regional para a serra gaúcha. Está mais do que na hora de começarmos a delinear o que realmente queremos fazer com o patrimônio que antes era da Rede Ferroviária Federal e que está passando para os municípios. Não podemos perder o foco da discussão e transformar problemas herdados em assuntos individuais de cada município, pois nenhum poderá ter uma estrada de ferro só para si. Pensar de forma individualizada é perder a possibilidade de transformar o que surgiu no início da colonização em uma alternativa contemporânea de transporte para diversos fins: turismo, deslocamento de mão-de-obra, transporte de cargas. Existe a consciência de que está arraigado em nosso cotidiano o transporte rodoviário. Mas nem por isso podemos nos desobrigar de discutir de forma responsável o que o desenvolvimento, de longa data, nos deu - os trilhos. Na Serra se discute a construção da via expressa regional, do aeroporto regional e de tantas obras importantes para a Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande do Sul. Seria um disparate não discutir o trem regional da serra gaúcha. A Rota do Sol já foi preocupação regional. Está pronta. Serviu para aglutinar as diversas cidades da Serra em busca de sua conclusão. Portanto, esquecer não podemos que são apenas 14 regiões do país que terão a possibilidade de ter investimentos federais para a reativação das vias férreas. Somos privilegiados, pois herdamos uma estrutura antiga, sim, mas herdamos para que nossa criatividade possa produzir frutos não apenas para alguns, mas para todos os municípios envolvidos: Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Santa Tereza e São Marcos. São quase 800 mil habitantes que, de forma desejosa, aguardam por respostas corajosas de seus representantes. De maneira alguma desejo ser demagógico ou instigador de ações inatingíveis, pois estou convicto de que está mais do que na hora de concretizarmos o que há muito se fala sobre o esperado trem regional. Temos a possibilidade de ver nossos sonhos concretizados... Querer é poder!